sexta-feira, janeiro 26, 2007

Palavras recebidas num email...

"A razão...

Já se passou demasiado tempo e ainda te continuo a chamar de amor.
Passaram-se meses e continuo desbravando contigo vários caminhos de solidão.
Passaram muitas vidas e tudo o que resta de nós é um caminho enleado que desfazemos timidamente para poder sobreviver.
Vivo sem te ter por aqui mas a cada sopro do tempo engulo-te dentro de mim. Já foste o meu amor imaginado, encontrado, revoltado, apetecido, perdido, resignado, reencontrado,...nunca esquecido. Amor, irmã, amiga, amante, filha. Divina criação. E onde cabe agora a homem perfeito com quem nunca tiveste a oportunidade de ter nada mais sério? De que modo posso encontrar o teu “todo”que para sempre me deve pertencer? Em que ponto nos tornámos uma só pessoa longe de nós? Sei do que falas, e sabes que te sei. Por muitos momentos realizámos e edificámos o mesmo sentido. Fomos... somos eternos espelhos sem antes nem depois. Reflectidos num simples olhar. Ou na minha imaginação.
Hoje optei por te evitar. Evito o olhar e a presença para evitar não te querer amanhã por perto. Hoje não cabe em mim a perfeição. Não posso evitar querer continuar a viver. Abro a porta a quem me pode amar. Abro a porta a quem me alimenta de dias e tardes para esquecer as noite sem fim. Hoje... por momentos...por enquanto... quero sobreviver para me poder construir sem pedaços. Construir-me por inteiro e não por um meio que nunca se pode concretizar. Não vais perceber. Talvez um dia te poderei dizer. Talvez um dia me poderás dizer como te amar.
Terás sempre outro alguém, algo onde beber esse brilho nos olhos que revejo mesmo em distância. Outro alguém onde te perder. Já curaste as feridas de mim. Já me edificaste na compreensão dos dias iguais uns aos outros. Queres concluir sentimentos, analisar desfechos. Já os consegues fazer sem mim. Já te fizeste parte de mim. Já me conheces melhor do que realizaste. E já tarde passou essa tarde onde me revi mil vezes na espera de uma imagem ou miragem que não chegou. Passou também a tarde em que, esperando, consegui viver-te mais perto, porém, da sombra do que daquela matéria com que se vê a realidade. Passaram, já tarde, as memórias dos momentos em que te desejei e te tive demasiadas vezes, contadas minuciosamente e sem conta. Hoje quero ensurdecer o desejo.... não quero os extremos, quero o sentido pleno do meio da vida que existe também em mim.
Quero poder chorar por outro alguém, quero poder chegar a casa depois de me cruzar contigo em pensamento e não embalar futuros inacessíveis que há muito tempo choram longe sem a minha direcção.
Porque te quero embalar também quando choras e nasci para sorrir com o teu sorriso. Porque se me arranha a alma se o jantar te caiu mal, porque respiro com dificuldade quando soluças sem razão ou te estala o joelho. Porque te quero em sintonia com o mundo. Porque não me quero deixar morrer aos teus olhos. Porque preciso de ti para respirar e existir. Porque são opostos e claros os desejos que me nascem por te amar. Porque te fizeste e eu me fiz vida contigo. Hoje não consigo estar aí. Estás feliz, não quero que me vejas a chorar... Não me quero ver a chorar. Amar-te-ei, ou outro qualquer verbo que queiras nomear, sempre. Ninguém mais o saberá. Nunca disso outro alguém além de nós alguma vez falará."

Sem comentários: